FAQ
PERGUNTAS E RESPOSTAS
Frequentes
O endométrio é a camada que reveste o útero internamente. A grande maioria das neoplasias do corpo do útero vai se originar nessa camada, sendo o tipo histológico mais comum é o adenocarcinoma endometrioide.
Outros tipos de tumores que se desenvolvem no endométrio são: o carcinoma seroso, o carcinoma de células claras e o carcinoma indiferenciado. Há ainda outro tipo de tumor do corpo do útero, muito mais raro, que é o sarcoma uterino, o qual se desenvolve na camada muscular (miométrio).
Os principais fatores de risco para a neoplasia de endométrio são a obesidade, terapia de reposição hormonal com estrogênio, hipertensão, diabetes, menarca precoce e menopausa tardia, uso de tamoxifeno e a nuliparidade. Ainda, a predisposição hereditária é responsável por 5% dos casos.
O principal sintoma é o sangramento uterino anormal, que pode ocorrer em até 90% dos casos, principalmente em mulheres após a menopausa. Em casos avançados, pode ocorrer dor abdominal e pélvica, distensão do abdome e alteração dos hábitos intestinais e urinários.
A neoplasia de endométrio deve ser diagnosticada por biópsia endometrial, realizada por histeroscopia ou curetagem.
O tratamento é cirúrgico em casos iniciais de câncer de endométrio. A operação vai remover o útero, o colo uterino, as trompas e os ovários. Em alguns casos, ainda pode ser necessária a retirada dos linfonodos (as ínguas) da pelve e/ou do retroperitônio, do omento (a gordura que recobre o abdome) e biópsia peritoneais.
Para o planejamento adequado da cirurgia, é fundamental sabermos o quanto o tumor invade a camada muscular do útero, o tipo histológico e o grau de diferenciação do tumor (dados fornecidos pela biópsia de endométrio). Ainda, após a cirurgia, em alguns casos, pode haver necessidade de complementar o tratamento com radioterapia, braquiterapia ou quimioterapia.
A cirurgia de citorredução é utilizada para tratamento de casos avançados de neoplasia de ovário. Nesse procedimento o cirurgião vai remover toda a doença visível no abdome, o que algumas vezes pode envolver resseção multivisceral e a retirada parcial ou total do peritônio (a camada que reveste o abdome internamente). Na maioria das vezes a cirurgia é realizada após o uso de quimioterapia.
A preservação de fertilidade (manutenção do útero, da trompa e do ovário que não contém o tumor) dependerá principalmente do estágio em que a neoplasia é diagnosticada e do tipo histológico que estamos tratando. Em casos selecionados de tumores iniciais e pouco agressivos, após discussão multidisciplinar e com o desejo expresso da paciente, é possível preservar a fertilidade.
O câncer de ovário pode se originar de diferentes tipos de células que compõem o órgão (origem epitelial, de células germinativas, do estroma e do cordão sexual). Em cada subtipo podemos ter apresentações clínicas, prognóstico e tratamento diferentes. Aproximadamente 90% dos casos têm origem epitelial, sendo o carcinoma seroso de alto grau o subtipo mais comum.
A história familiar é um dos fatores de risco mais importantes, já que aproximadamente 25% dos casos têm origem hereditária. Algumas mutações genéticas, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2, aumentam significativamente esse risco. Outro fator é a nuliparidade, ou seja, mulheres sem filhos têm risco aumentado. Outros fatores associados são: idade maior do que 50 anos, a menarca precoce (<12 anos) e a menopausa tardia (55 anos), a obesidade, e a história pessoal e familiar de câncer de ovário, de mama e de câncer colorretal.
Em casos iniciais os sintomas podem estar ausentes ou serem inespecíficos. Apenas alguns tipos de tumores, como os de origem do cordão sexual, por produzirem quantidade elevada de hormônios, manifestam-se em estágios precoces com sinais de puberdade nas jovens e sangramento nas mulheres pós-menopáusicas. A grande maioria dos casos vai apresentar sintomas apenas em estágios avançados, como aumento do volume abdominal, emagrecimento, alteração dos hábitos intestinais, náuseas e sangramento vaginal.
Infelizmente não temos um exame adequado para o rastreio (screening) a ser realizado na população geral. Mulheres que apresentam alto risco, como aquelas com mutação nos genes BRCA1 e BRCA2, devem realizar ultrassonografia transvaginal e dosagem sérica de CA- 125 anualmente.
O tratamento vai depender do estágio da doença. Casos iniciais de tumores restritos ao ovário podem ser tratados apenas com cirurgia. Em casos avançados, onde há disseminação pelo peritônio ou para outros órgãos, pode ser necessário o uso de quimioterapia endovenosa antes ou depois da cirurgia para complementar o tratamento.